“Sempre Alerta”: os escoteiros do Centro Internacional de Hidroinformática

“Sempre Alerta”: os escoteiros do Centro Internacional de Hidroinformática

Em janeiro de 2009, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) se transformou na “cidade do escotismo” ao reunir mais de quatro mil pessoas no 4° Jamboree Nacional Escoteiro, maior evento do movimento no Brasil (veja mais em https://goo.gl/n9qaej). Quase dez anos depois, o escotismo e os seus princípios seguem vivos pelos corredores do Parque. Entre os representantes, quatro estão alocados no Centro Internacional de Hidroinformática (CIH).
   


PTI sediou o 4° Jamboree Nacional Escoteiro em 2009: mais de 8 mil pessoas.

    
O mais veterano da turma, Newmar Wegner, começou sua trajetória aos 11 anos de idade no Grupo Escoteiro Cataratas, porém teve que se afastar das atividades e retornou já adulto. “Tive que sair do movimento quando trabalhei na área do turismo, inclusive aos sábados. Depois me mudei para o Rio de Janeiro e acabei não frequentando os grupos escoteiros por lá”, explica.
    
E foi Newmar quem apresentou o mesmo grupo para outros dois colegas de CIH: Alisson Rodrigues e Natalie Toyama. Rafael Campos, também do Centro, começou a frequentar o Grupo Escoteiro Guairacá por influência da noiva. “Ela estava afastada do grupo que frequentou na adolescência e teve vontade de retornar quando já estávamos juntos”, conta.
    
Para Alisson, o interesse veio depois que levou o filho Guilherme (na época com 6 anos) para conhecer o grupo. “Chegando lá me falaram que estavam precisando de chefes. Gostei do trabalho e acabei ficando como voluntário no ramo lobinho depois de uma série de formações e treinamentos”, explica. Ser pai nessas situações não é tarefa fácil, segundo ele. “Não podemos ter ‘ataque de pai’. A criança é que deve fazer a sua própria mochila para que saiba onde está cada coisa. Além disso, ela deve armar a própria barraca sozinha ou com a ajuda dos colegas. Temos que nos segurar.” explica. Hoje ele já não tem mais esse problema porque Guilherme passou do ramo lobinho (entre 6 e 10 nos) para escoteiro (entre 11 e 14 anos).
   
A “caçula” da turma, Natalie Toyama, já começou a sua trajetória com muita adrenalina. Em um dia de muito frio e chuva, um dos primeiros contatos foi acompanhar como apoio uma atividade conhecida como “falsa baiana” - um deslocamento feito sobre duas cordas utilizando os pés e as mãos para a travessia. “Eles estavam passando por uma reformulação e precisando de uma chefe feminina para ficar com as guias. Achei que era coisa de filme americano, mas cheguei numa situação extrema e vi que a coisa era mais profunda”, pontua.
    
Já o início de Rafael Campos coincidiu com as comemorações de 40 anos do Grupo Guairacá. “Uma das minhas primeiras atividades foi uma pastelada em que os grupos se uniram em prol de um senhor que sempre apoiava o movimento e buscava ajuda para reconstruir a sua casa. Após essa ação, fui criando amizades e lá estou até hoje, apesar de ter uma participação mais afastada”, destaca.
   

Organização e disciplina

   
Geralmente, os grupos escoteiros têm as suas reuniões aos sábados, mas muito se engana quem pensa que o trabalho se restringe a isso. “Acabamos tendo uma interação muito grande em diversas áreas, atuando como conselheiros em muitas situações a qualquer hora do dia”, pontua Natalie. “É uma organização extremamente estruturada, com preocupações, propósitos e valores, e toda uma lógica para que tudo ocorra dentro do controle”, complementa Rafael.
   
O movimento escoteiro tem como premissa que, para colocar um jovem em condições ideais na sociedade, é necessário atuar em seis áreas de desenvolvimento: Físico, Afetivo, Caráter, Espiritual, Intelectual e Social (FACEIS). A vivência e alguns princípios abordados no escotismo, como o comprometimento e a pontualidade, são habilidades que levam para a vida toda. “Noto isso no dia a dia, quando uma reunião não sai dentro do cronograma, por exemplo. Acabamos nos policiando, porque eles são muito mais regrados que a gente”, ressalta Natalie.
   
O termo “escoteiro” deriva da palavra Scout, que significa batedor ou explorador, em referência ao responsável por abrir e reconhecer um caminho por onde outros de sua expedição ou grupo passariam. Para os escoteiros e curiosos no movimento, Foz do Iguaçu está prestes a receber dois importantes eventos relacionados ao setor. Em 2020, a União dos Escoteiros do Brasil (UEB) organizará na cidade o 16º Jamboree Scout Interamericano e o 3º Camporee Scout Interamericano, que juntos devem cerca de oito mil escoteiros de diversos países no Centro de Convenções.