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Algoritmo da vida: Robô Laura auxilia profissionais da saúde que atuam em hospitais

Algoritmo da vida: Robô Laura auxilia profissionais da saúde que atuam em hospitais

24/05/2017

O “Sonho de Laura” carrega um propósito grandioso: desenvolver um algoritmo para salvar vidas! Para idealizar este sonho Jacson Fressatto criou o Robô Laura, um programa de computador que auxilia profissionais da saúde que atuam em hospitais.

 
A ideia de desenvolver o algoritmo da vida iniciou em 2010, quando a Laura, filha de Jacson, foi vítima de sepse, um quadro de infecção generalizada provocado pelo excesso de atenção que o organismo dá a determinada infecção, deixando outras partes do corpo vulneráveis. Estima-se que a cada dois minutos, uma pessoa morre de sepse no mundo. Os índices são altos principalmente devido a dificuldade de se identificarem os sintomas a tempo de prevenir o quadro.

 

O “Sonho de Laura” quer mudar isso. De 2010 a 2012, Jacson estudou muito sobre a doença. Chegou a trabalhar como voluntário em um hospital de Curitiba para conhecer os processos, metodologia de trabalho e modos de operação das rotinas hospitalares. “O que me assustou nesta experiência foi que, mesmo com todos os recursos tecnológicos existentes hoje, não havia ainda nenhum recurso que suficientemente integrava as informações sobre o paciente, oferecendo dados atualizados aos profissionais”, conta.

 

E é nesta lógica que o Robô Laura trabalha. Ele foi programado para ajudar os técnicos a identificarem mais rapidamente possíveis casos de sepse. “Se comporta como um vírus de computador - com a diferença de que há uma estrutura de segurança auditável. O Robô Laura consegue se conectar remotamente a qualquer equipamento e sistema utilizado pelo hospital. Ele acessa os dados disponíveis, minera os registros, integra as informações sobre os pacientes e os processa”, explica Jacson.

 

Havendo risco de sepse, o robô ativa uma função chamada “ansiedade de Laura”, que emite aletas aos profissionais para que imediatamente assistam ao paciente. As situações críticas, identificadas pelo Robô Laura, ficam visíveis em telas espalhadas pelo hospital. “Se o paciente não for tratado, ou seja, se o alerta for ignorado, o Robô Laura sai das paredes do hospital e encaminha mensagens por sms e e-mail para pessoas pré-definidas. Se ainda for ignorado, o Robô procura a coordenação; em seguida a diretoria do hospital”.

 

No ano passado, o paciente André, do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, foi beneficiado pelo Projeto Sonho de Laura. O robô percebeu síntonas de sepse no paciente e ajudou a evitar o agravamento do quadro.

 

O Robô Laura permite ainda identificar erros nas rotinas hospitalares. Ele gera relatórios com indicadores diversos, permitindo à administração aplicar ações de melhoria em processos e/ou capacitação das equipes. Um resultado obtido no hospital onde o protótipo foi testado foi a redução do tempo entre a visita ao leito e a inserção de dados do paciente no sistema do hospital: passou de 3h20 para 42 minutos. “Isso representa uma mudança de cultura, de comportamento das equipes”, avalia Jacson.

 

Tecnologia cognitiva

 

O Robô Laura interage com os profissionais e é capaz de aprender. O sistema utiliza uma tecnologia cognitiva, com foco no gerenciamento de riscos. Uma novidade no mercado, que pode ser usada não apenas na área de saúde, mas em uma infinidade de outros processos.  

 

O robô ajuda profissionais da saúde na identificação de situações de risco, ou seja, ele lê, reúne e interpreta as informações que os profissionais já cadastram nos sistemas utilizados pelo hospital - incluindo resultados de exames laboratoriais. Mas o Robô Laura não apresenta soluções. “O robô não faz diagnóstico. Seres humanos é que tratam seres humanos! O sistema oferece informações ao profissional, empoderando-o para a tomada de decisão”, avalia.

 

Uma implementação, já em desenvolvimento, é para que o sistema passe a apresentar ao atendente o possível problema identificado no leito – já que hoje, a atuação do sistema consiste apenas na emissão de alertas quando percebidas anomalias.

 

Jacson iniciou essa empreitada sozinho, com recursos próprios. Então, fundou a empresa Laura Networks e hoje o “Sonho de Laura” conta com instituições apoiadoras, que auxiliaram a viabilização do projeto.

 

O Robô Laura foi apresentado para para profissionais da saúde do Brasil, Argentina e Paraguai, durante a 152ª reunião ordinária do Grupo de Trabalho para Integração das Ações de Saúde na Área de Influência da Itaipu (GT Itaipu-Saúde), realizada na tarde de ontem (23), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). O sistema deverá beneficiar, em breve, hospitais filantrópicos da região.

 

Isso porquê, após um ano de testes, Jacson está prestes a lançar ao mercado a versão alfa do programa. No segundo semestre, pretende iniciar a instalação do software gratuitamente em hospitais beneficentes de todo o país. “O objetivo do projeto é oferecer tecnologia eficiente e acessível, contribuindo com a saúde no Brasil. E o meu objetivo pessoal é reduzir em 5% a mortalidade brasileira por sepse, o que representa 12 mil pessoas salvas por ano”, pontua.

 

 

Conheça mais sobre o projeto clicando aqui.