Entre Rios do Oeste reduz conta de energia pública com produção de biogás

Entre Rios do Oeste reduz conta de energia pública com produção de biogás

29/04/2019

Entre Rios do Oeste, município a 130 km de Foz do Iguaçu, será o primeiro município do Brasil a ter fornecimento de energia elétrica a partir de biogás, oriundo de um condomínio de agroenergia.

 

Além de resolver um problema ambiental, o projeto, desenvolvido pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Centro Internacional de Energias Renováveis - Biogás (CIBiogás), Copel e Prefeitura de Entre Rios, trará benefícios econômicos para o município e produtores rurais.

 

Embora Entre Rios do Oeste seja um município com uma população pequena – de aproximadamente 4,5 mil pessoas -, a quantidade de suínos é 50 vezes maior. Por isso, o projeto, que partiu de uma chamada pública estratégica de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) terá grande impacto para a localidade.

 

A iniciativa vai possibilitar que a iluminação dos prédios e espaços públicos da cidade seja garantida pela produção de biogás - mistura de gases composta principalmente por metano e dióxido de carbono, obtida normalmente através do tratamento de resíduos domésticos, agropecuários e industriais, que pode ser usado para gerar energia elétrica e térmica, além de biocombustível (biometano). 

 

Para que isso se torne realidade, a estrutura necessária para a produção do biogás foi instalada em 17 propriedades rurais, que foram interligadas por meio de um biogasoduto de 22 quilômetros de extensão. 

 


Toda a parte de instrumentação das propriedades foi feita pelo Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos do PTI. Fotos: Kiko Sierich. 

 

Como resultado do tratamento dos dejetos, é obtido o gás e também um líquido que pode ser utilizado como biofertilizante, sem odor. O biogás é enviado para a MiniCentral Termoelétrica (MCT), para ser convertido em energia elétrica. 

 

De acordo com o gerente do Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos (Lasse) do PTI, Rodrigo Bueno Otto, o PTI ficou responsável pelos projetos e estudos elétricos da subestação - que conecta a minicentral à rede da Copel -; realizou toda a parte de instrumentação das propriedades rurais; e desenvolveu um sistema de monitoramento da minicentral com as unidade de geração do biogás.  Além disso, o PTI também foi responsável pela edificação da minicentral, por meio da área de Infraestrutura e Obras. 

 

Iniciado em 2016, o projeto tem um investimento total de R$ 19 milhões, custeados pela Aneel. O prazo para entrega é julho deste ano. O modelo do arranjo técnico e comercial de geração distribuída de energia elétrica que será desenvolvido em Entre Rios poderá ser replicável em outros municípios de todo o país.