Garcia, apaixonado pelo radioamadorismo e dono de museu

Garcia, apaixonado pelo radioamadorismo e dono de museu

“QSL”, “TKS”, “QRV”, “câmbio”! Luiz Garcia, gerente da Segurança Institucional do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), está habituado ao linguajar da radiocomunicação desde a década de 1980, quando trabalhou na segurança da construção da usina de Itaipu. Mas nem em casa ele deixa de lado o palavreado característico. Isso porque, mais do que trabalho, o radioamadorismo é a verdadeira paixão de Garcia, que sedia no próprio lar o Museu do Radioamador Três Fronteiras.

 

O Museu do gerente da Segurança Institucional começou meio que por acaso. Lá em 1990 ele tinha uns 15 equipamentos antigos e usou o sótão de casa para guardá-los. O acervo, desde então, só foi crescendo e chegou às atuais 800 peças. Aí o espaço começou a ficar pequeno e Garcia fez uma reforma para transformar no atual local do Museu, na própria casa.

 

Quase todos os equipamentos foram doados. Garcia conta que comprou só quatro deles, que fazia questão que constassem no acervo. “O restante é tudo doação de pessoas inclusive de fora do Brasil. Tem equipamento que veio do Canadá”. Se preciso for, ele até pega a estrada em busca das relíquias. A última viagem foi para Ponta Grossa.

 

Como trabalha durante o dia no PTI, as visitas ao Museu costumam ser no período da noite. Tem vezes que o gerente chega a atender os interessados 11 horas da noite e até às 2 horas da manhã. Ele recebe também grupos de alunos e escoteiros e diz que as crianças costumam ficar impressionadas com as antiguidades.”Elas ficam assim deslumbradas. Você o olho delas brilhar, porque hoje em dia as crianças só veem celular”.

 

Mas o Museu do Radioamador do Garcia também tem celular: só que nem um pouco parecido com os atuais aparelhos compactos. O dele é um telefone com fio e uma espécie de bolsa para guardá-lo com uma bateria – impossível de segurar com apenas uma mão para uma ligação.

 

Radioamadorismo

 

De acordo com o gerente da área de Segurança Institucional do PTI, “o radioamadorismo nada mais é do que um experimento pessoal para você manter contatos, fazer amizades”. Só em Foz do Iguaçu, conforme ele, são mais de 180 radioamadores.

 

Muito mais do que socializar, o radioamador também tem uma função muito importante de dar apoio às forças de segurança. Garcia é coordenador da Defesa Civil em Foz do Iguaçu e explica que a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores (REER), vinculada à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, promove uma série de eventos de simulações de emergências em que participam órgãos como Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

 

O radioamadorismo também apoia os bombeiros para que consigam se comunicar em localidades afastadas e possam atender de forma adequada as ocorrências. Garcia conta que recentemente a formatura dos cadetes da corporação foi realizada na casa dele. “Dei a última aula para eles de instrução em rádio, eles visitaram o Museu e aí se formaram”. A movimentação até assustou a vizinhança. “Os vizinhos ficaram apavorados com aquele monte de carros de bombeiros na frente de casa”.

 

Não é qualquer um que pode ser radioamador. O gerente explica que é preciso entender de legislação, técnica, radioeletricidade e ética, e fazer um curso ofertado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a obtenção de um Certificado de Operador de Estação de Radioamador (COER). Essa certificação é dividida em classes, conforme o nível de conhecimento. Quando começou na atividade, na época da construção da Itaipu, Garcia era classe C, hoje é da classe A – a mais elevada.

 

Tem alguma sugestão de história para contarmos aqui no nosso blog? Envie um e-mail para imprensa@pti.org.br