Graziele, a administrativa que, nas horas vagas, tem a missão de "levar amor"

Graziele, a administrativa que, nas horas vagas, tem a missão de "levar amor"

Graziele tem um jeito manso de falar… Daquelas vozes que parecem ter a função única de acalmar a gente, sabe? Mas o dom não fica só no timbre da voz, não. A Grazi vai para a parte prática que o tom sereno indica. “Há um ano, sou capelã da Unipas (Union of Pastors and Volunteers Chaplains)”. O título é internacional e não possui vínculos com religião ou igrejas, mas a palavra de Deus.

 

A Grazi fez curso de capelania hospitalar (existem várias modalidades de curso, como universitária, escolar, carcerária) e, desde então, atua na missão de “levar amor”, como ela mesma descreve. “Capelania é isso. É tirar sua capa e dar ao outro com amor”. O grupo faz visitas voluntárias ao Hospital Municipal, uma casa de recuperação e ao Lar dos Velhinhos, onde também ajudam com arrecadação de itens de higiene pessoal e materiais de limpeza.

 

As situações das pessoas que recebem esses carinhos são as mais diversas. “A gente conhece muitas coisas que nem imagina. Na semana passada, fiquei sabendo de um casal que perdeu a guarda da filha (de três anos) por terem problemas com álcool. Senti que precisava fazer alguma coisa. Fomos visitar essa família. A ideia é criar um vínculo para, quando estiverem seguros conosco, nós os conduzirmos a um tratamento de recuperação. Conhecer essas situações te fazem valorizar muito mais o que você tem.”

 

E se engana quem acha que o trabalho exige 'muito'. “Nós vamos para passar um tempo com eles, cantar louvores, levar uma palavra de Deus… Como resposta, recebemos muitos sorrisos. No Dia das Mães, eu, como perdi minha mãe há pouco tempo, mas fiz questão de ir até o Hospital Municipal para levar uma lembrança e dizer a elas o quanto são especiais para Deus. A resposta disso foi tão grande que, não só quem estava hospitalizado, mas até quem trabalha lá se sentiu importante. Acho que essa é a palavra. Eles sentem que estão sendo lembrados por alguém”.

 

Ser capelã dá à Graziele a possibilidade de trabalhar como voluntária em 21 países. E claro que, com isso, a vontade é de cruzar fronteiras. Mas não é com a intenção de conhecer lugares paradisíacos ou para passar umas férias… “Eu tenho vontade de ser útil em uma situação de catástrofe. Ajudar, de alguma forma, pessoas que perderam tudo. Eu tenho um desejo no meu coração de ser útil nesses casos”.

 

O aprendizado disso tudo é impactante para quem se dispõe a se dedicar à capelania. “Chegamos ao ponto de entender até onde as pessoas podem chegar por falta de amor. O amor transforma muitas coisas. Quando a gente o transborda, conseguimos bons resultados. E é isso que eu procuro fazer… Transbordar o que eu tenho de melhor, mesmo sendo imperfeita”.

 

GRAZIELE CASSIANO LOPES - 3 ANOS E MEIO DE PTI - COMUNICAÇÃO E MARKETING