Jessé, o campeão de cestas do PTI

Jessé, o campeão de cestas do PTI

A deficiência física não representa uma limitação para Jessé praticar esportes. Diagnosticado com paralisia infantil quando tinha apenas um ano e sete meses, há seis anos deixou de lado o sedentarismo das partidas de videogame para suar – e muito – nas quadras de basquete, a bordo de uma cadeira de rodas adaptada.
   
Três vezes por semana, durante pelo menos duas horas, ele participa, no CAIC do Morumbi, da intensa rotina de treinos do Harpia da Fronteira, time de basquete em cadeira de rodas de Foz do Iguaçu. O que lhe motivou a buscar a entrar nas quadras foi a preocupação com a saúde, logo após ficar 60 quilos mais leve (de 144 kg para 80 kg) após uma cirurgia bariátrica. “Eu pensava: vou correr para lá e para cá com a cadeira e, com certeza vou queimar calorias”.
    
O time - que homenageia a ave pela qual o Refúgio Biológico Bela Vista é considerado referência no manejo e reprodução da espécie - é vinculado a União de Deficientes Físicos (UDF) de Foz do Iguaçu e existe há mais de 15 anos. A instituição conta com o apoio da Itaipu Binacional, que fornece as cadeiras de rodas adaptadas e padronizadas, e da Prefeitura de Foz do Iguaçu, que ajuda os atletas com uma bolsa mensal e no custeio das viagens.
   
O que Jessé não imaginava era o tamanho da transformação que o novo hobby iria proporcionar a sua vida. “O esporte me traz o meu espírito competitivo e, por meio dele, consigo aliviar algumas tensões, além de conhecer muitas pessoas e cidades durante as viagens que fazemos”, conta.
   
Depois de uma dessas viagens, o time percorreu mais de 800 quilômetros até Brusque (SC) e trouxe na bagagem o troféu da Copa Santa Catarina de Basquete em Cadeira de Rodas. A conquista foi de forma invicta. Nada mal para a equipe, que disputou a competição apenas como convidada ao lado das principais forças catarinenses da categoria.

    
Muitos tombos
   

    

A adaptação ao esporte foi cheia de desafios, exigindo muita dedicação e agilidade de Jessé. Uma das principais regras da modalidade determina, por exemplo, que a cada dois toques na cadeira de rodas o jogador deve quicar, passar ou arremessar a bola. Para assegurar a competitividade, os atletas precisam usar cadeiras de rodas padronizadas e na formação dos times os atletas são divididos em classes. A classificação (que vai de 1 a 4.5 pontos) varia de acordo com o grau da limitação. Quanto maior a deficiência, menor a pontuação, que no caso de Jessé de 1.5. Os cinco atletas em quadra não podem exceder os 14 pontos.
    
Em quadra, além da concentração para acertar as cestas, os atletas em duas rodas precisam também cuidar para não cair. Tarefa nem um pouco fácil, pois não são poucas as “trombadas” durante o jogo. Mas eles já são acostumados às quedas e, sozinhos, voltam para suas cadeiras e a partida continua.

 

Novos desafios (dentro e fora das quadras) 

     
No PTI, o assunto “acessibilidade” já deixou de ser tabu faz tempo. “Hoje tenho acesso a todo o Parque.” Jessé atua como uma espécie de conselheiro da equipe de Infraestrutura, que sempre o consulta sobre a adequação dos espaços. Além disso, contribuiu bastante neste processo durante o tempo que atuou na Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (CIPA) do PTI.
   
O ano de 2018 tem sido de grandes desafios para Jessé, tanto dentro quanto fora das quadras. No PTI, mudou-se recentemente da antiga área de Desenvolvimento Sustentável para a de Gestão de Pessoas. No basquete, além do Campeonato Paranaense e dos Jogos Paradesportivos do Paraná (PARAJAPS), o Harpia da Fronteira se prepara para um novo voo: disputar o Campeonato Brasileiro de Basquete em Cadeira de Rodas. Para isso, precisa passar por uma etapa classificatória do torneio. “Aí as viagens serão ainda mais longas”, comemora. Jessé é gente do PTI!

 

Fotos: Kiko Sierich/PTI