Kiko Sierich, de jogador de vôlei a fotógrafo renomado

Kiko Sierich, de jogador de vôlei a fotógrafo renomado

Quem vê o Kiko Sierich circulando pelos corredores do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) com sua câmera nas mãos não imagina que por muito pouco o fotógrafo não fez a sua vida dentro das quadras de vôlei como jogador profissional.
    
Tudo começou aos 12 anos, quando a sua altura (1,80 m) já chamava a atenção dos professores. Costumava ser o mais alto da turma e se destacava pelos ataques e saltos (que ultrapassavam um metro de altura) nas aulas de Educação Física. Depois veio o time do colégio e mais tarde o seu desempenho lhe levou para a seleção de base da cidade. A vontade era tanta que chegava a treinar com atletas mais velhos.
    
E isso fez com que aos 14 anos, por sugestão de dois treinadores do município, Chico (como era conhecido na época) fosse tentar um passo maior na carreira ao participar de um teste para jogar no Esporte Clube Banespa, um dos principais times do Brasil na época. No “peneirão” realizado em São Paulo (SP), participaram cerca de três mil jogadores de todo o País. Kiko foi um dos 15 selecionados. “Eles me ofereceram toda a infraestrutura do clube, ajuda de custo, colégio, mas por causa da idade não poderia morar no alojamento”. Para não deixar o sonho acabar ali, morou na casa de uma tia. “Ela morava do outro lado da cidade. Por isso, tinha que acordar todos os dias muito cedo. Eu gostava muito de jogar e para mim tudo aquilo não era esforço”, recorda.
   
No Banespa jogou por dois anos e foi vice-campeão paulista. No segundo ano de clube surgiu uma proposta para retornar ao Paraná, no time do Londrina que era comandado por Percy Oncken, que conquistou vários títulos mundiais e sul-americanos como técnico nas categorias de base da seleção brasileira. “Ele era o técnico da seleção infanto-juvenil. Mas como tive uma contraproposta, (com direito a morar no alojamento do clube e não ter que “viajar” todos os dias para treinar) preferi continuar”.
        
Se a altura era o seu diferencial na adolescência, foi ela que o atrapalhou nos tempos de adulto. “Tinha muita gente alta no clube. Como em todos os finais de ano havia cortes, acabei sendo dispensado, muito por causa da minha estatura. O técnico conversou com os meus pais e pediu que acompanhassem os meus estudos porque o meu futuro no esporte não estava garantido”.
    
Apesar de receber propostas de outros clubes do Brasil, preferiu retornar para Foz do Iguaçu em 1997 e jogou pelo time da cidade até 2000. Neste período chegou a ser convocado para a seleção paranaense para disputar competições estaduais e nacionais.
    
Aos poucos foi deixando de lado o esporte para se dedicar ao Jornalismo. “Hoje gosto de assistir pela televisão porque eu entendo um pouco do esporte, né?”. Alguns de seus ex-colegas continuaram no esporte, como Rafa, levantador defendeu a seleção brasileira e atualmente joga pelo Taubaté (SP). 
       
Fotojornalismo
    

Nos tempos do vôlei Kiko tinha uma pequena câmera que ganhou de seus pais para registrar os lances de seus colegas, mas foi durante o curso de Jornalismo – em que se formou em 2003 - que Kiko teve as primeiras experiências profissionais. O primeiro contato foi durante o estágio que realizou na Itaipu, dando uma pequena ajuda para o único fotógrafo da empresa na época, Caio Coronel. Os tempos eram de transição, dos filmes analógicos para a tecnologia digital. “Lá sempre foi muito corrido e ele (o Caio) me deixava uma câmera pequena, com um disquete com capacidade para 8 fotos”, lembra.
     
O pessoal começou a gostar dos serviços e surgiu a possibilidade de trabalhar como bolsista no Parque Tecnológico Itaipu (PTI) em 2003, logo no início das obras. A famosa fotografia da primeira marretada em uma das paredes dos históricos alojamentos, inclusive, foi feita pelo Kiko.
   
Com o término da bolsa e a conclusão da faculdade, ficou alguns anos longe da profissão. Neste período, chegou até a abrir um lava-car. Em 2007, veio a oportunidade de trabalhar no jornal A Gazeta do Iguaçu. A proposta era para ficar apenas um mês cobrindo férias de um dos fotógrafos. “Minhas fotos no começo eram péssimas e sem foco. Tinha noção, mas não sabia operar uma câmera semi-profissional. O jeito foi aprender na raça”. Depois daquele mês foi a vez de cobrir as férias do outro fotógrafo. Com o retorno dos dois, passou a revisar o jornal até que um dos fotógrafos foi promovido a editor. Ali continuou e foi se aperfeiçoando durante 9 anos. “A Gazeta foi uma grande escola para mim”.
    
Em sua carreira profissional Kiko vivenciou muitas histórias e teve o privilégio de ser um profissionais a estamparem a 8a e a 10a edição do livro “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, publicado pela Editora Europa. A publicação é a principal nacional do setor. Em 2016, a fotografia que levou às páginas dos melhores repórteres fotográficos mostra turistas apreciando as belezas das Cataratas do Iguaçu. Já em 2018 ele emplacou uma foto do assalto ocorrido a empresa de valores em Ciudad del Este em 2017. A foto rodou o mundo e foi capa em mais de 20 veículos de comunicação.
    
Desde 2016, Francisco Sierich faz parte da equipe de Comunicação e Marketing do PTI e presta serviços como freelancer pra diversas agências, jornais e sites.