Maria Cláudia, a voluntária de ONG de proteção de animais que garantiu os cuidados do gato do PTI

Maria Cláudia, a voluntária de ONG de proteção de animais que garantiu os cuidados do gato do PTI

Foram só uns três meses de contato com o gato, mas foi suficiente para que a designer gráfica Maria Cláudia Kall Ferreira se apegasse. Isso que eles se viam pouco, geralmente na hora do almoço, quando pegavam um solzinho juntos no hall do Edifício das Águas, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), e trocavam carinhos. Foi nessas carícias que a Maria percebeu que o Fred estava com algo estranho no pescoço e decidiu organizar um “mutirão” pra levar o bichano – querido por muitas pessoas do Parque - ao veterinário. 

 

A ideia de fazer uma “vaquinha” para ajudar o Fred partiu da designer gráfica, que atua no Programa de Educação e Cultura do PTI, e da analista de sistemas da área de Tecnologia da Informação e Comunicação do Parque Diana Santoro, conta Maria. Elas passaram de sala em sala e, em pouco tempo, arrecadaram quase R$ 1,2 mil para os cuidados do gato.

 

Não foi fácil levar o Fred para o veterinário. Maria conta que levou quase um mês para conseguirem capturá-lo e foi necessário montar uma operação especial para domar a “fera”. “Sofremos um pouco para pegá-lo, porque ele é bem arisco. Tivemos que providenciar uma gatoeira e pedir ajuda para o pessoal da Segurança”. 

 

A consulta ao veterinário trouxe alívio para os admiradores do Fred. Os carocinhos no pescoço são fibroses (ou cicatrizes internas), ou seja,  marcas da vida selvagem que o felino leva aqui pelo Parque, onde mantém contato – às vezes nem sempre amigável – com outros animais, como os quatis. Passado o susto, Fred já aproveitou para atualizar as vacinas para garantir a saúde. 

 

Em dezembro, Maria fez uma prestação de contas a todos que ajudaram o Fred. Em um bilhetinho com uma foto bem charmosa do gato com touca de Natal acompanhado de um pirulito, ela explicou que agora o dinheiro que sobrou está sendo utilizado para comprar ração – são gastos R$ 50 para 3 kg de ração a cada 20 dias. 

 

A designer gráfica diz que, pelo que os outros colaboradores contam, o Fred está no PTI desde filhote – há uns cinco ou seis anos. Ele sempre contou com a bondade do pessoal daqui – como a gerente do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), Nara Nami, que costumava trazer ração para ele, e os funcionários que fazem a segurança do Parque, que garantem que o bichinho receba comida e água mesmo nos finais de semana. 

 

Paixão por animais

 

O amor de Maria Cláudia pelos animais vem desde criancinha. “Sempre gostei de bichos. Em casa sempre me ensinaram a não maltratar”, afirma. Ela tem dois cachorros vira-latas que foram adotados e é voluntária desde 2014 da ONG SOS Focinhos, de Medianeira. “Trabalho com design gráfico, na divulgação de campanhas, nas feiras de adoção e também na limpeza de canis”. 

 

Esse amor todo fez com que a designer mudasse até o estilo de vida. Há sete anos, quando trabalhava para um frigorífico, ela tomou a decisão de virar vegetariana. No mesmo dia, tirou da sua dieta todo o tipo de carne. “Eu pensei ‘se eu gosto tanto dos meus cachorros, por que como esses bichos que sentem dor, medo e frio?’ Aí parei no mesmo dia, não foi nem pela saúde ou qualquer outra coisa”. 

 

Doações para o Fred

 

Maria vai continuar arrecadando as doações e cuidando da saúde do Fred. Quem tiver interesse em fazer doações em valores ou de ração e outros mantimentos para o felino, pode procurá-la no Programa de Educação e Cultura. Ela anota tudo para manter a prestação de contas aos voluntários. A data da próxima vacinação já está agendada na carteirinha que está com a designer: 27 de julho deste ano.