Mateo Bravo Ariza, o sonoplasta colombiano no PTI

Mateo Bravo Ariza, o sonoplasta colombiano no PTI

Mais de 7 mil pessoas circulam diariamente pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), um ambiente que reúne gente das mais diversas nacionalidades. A maioria dos estrangeiros é formada por professores e estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Foi lá onde o colombiano Mateo Bravo Ariza se formou no curso de Cinema e Audiovisual. Hoje atua como assistente técnico do Centro de Tecnologias Transmídias, do PTI.
     
Esse clima cosmopolita do Parque fez Mateo se sentir quase que em casa durante o seu processo de adaptação. Para se ter uma ideia, somente na Unila mais de 30 países estão representados, e em 2019 o seu país de origem, a Colômbia, foi o que registrou o maior número de estudantes interessados em estudar na universidade. “Ás vezes era até ruim porque pensava que podia falar espanhol o tempo todo e deixar de lado o português”, brinca.
    
E pensar que foi o futebol uma das principais motivações para Mateo buscar uma das vagas da Unila em 2014. Morar no Brasil no ano em que o país voltava a sediar uma Copa do Mundo, representava a possibilidade de realizar o sonho de acompanhar “in loco” as partidas da seleção colombiana no mundial. Uma oportunidade e tanto, diga-se se de passagem, já que “La Fiebre Amarilla” (como o time é conhecido pelos torcedores) não disputava a competição desde 1998. “Acabei assistindo tudo apenas pela TV (inclusive a eliminação, nas quartas de finais, para a seleção brasileira). Foi doloroso”, lembra.
    
O interesse pela música nasceu bem antes da faculdade e da mudança de país. Na adolescência aprendeu, com um primo, os primeiros acordes de guitarra. Entretanto, o que realmente lhe chamava a atenção não eram os instrumentos, mas os bastidores de uma produção musical. “Acompanhei ele em algumas gravações em estúdios e comecei a sonhar em trabalhar naquele lugar”. Após concluir o Ensino Médio passou a frequentar as salas e estúdios do Instituto ENE Audio, em Bogotá, onde aprendeu teorias musicais e as etapas que envolvem uma produção musical, desde a captação de áudio até a masterização dos arquivos digitais.
     
As aulas não apenas confirmaram a sua vocação, como também ampliaram as suas preferências musicais. As batidas pesadas do rock e do heavy metal, e influências como Audioslave e Metallica, ganharam a companhia de sons mais tropicais e populares da América Latina. Depois de formado como técnico de som, fez uma pequena pausa nas aulas para percorrer a Colômbia ao lado de Juan Manuel Correal, um radialista e palestrante motivacional. Correal percorria o país contando a sua história de vida que servia de inspiração para muitos. “Ele se recuperou de um derrame cerebral e teve uma história de muita superação. Hoje daria mais valor às suas palavras, mas na época tinha apenas 19 anos”, conta. Nessas palestras, o suporte técnico era total, desde a montagem dos projetores até os ajustes no som.
   

   
Nas aulas da Unila , Mateo aprimorou seus conhecimentos principalmente na parte de sonoplastia, como a edição de áudio de trilhas sonoras, música, vinhetas, comerciais, dentre outros. Nessa função, participou de algumas produções em Foz do Iguaçu, como o longa-metragem “Boteco, Mil e Uma Vezes Boteco”, escrito e dirigido pelo jornalista e escritor Rogério Bonatto, e o documentário “Árabes no Paraná – Foz do Iguaçu”, escrito e dirigido pela cineasta Lu Rufalco.
    
Por um ano deixou o ambiente do PTI para morar em Recife (PE), por meio do programa de Mobilidade Acadêmica Nacional da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que possibilita que os estudantes das universidades públicas federais possam desenvolver seus estudos em regime de intercâmbio. “Conheci dois extremos. São duas cidades bem diferentes. Lá sim tive dificuldade maior para me comunicar”.
   
Hoje Mateo dribla o idioma e o preconceito. “Quando falam em Colômbia logo associam a Narcos e Pablo Escobar. Isso me chateia um pouco”. Além das belas paisagens de seu país, ele fala orgulhoso do filme “El abrazo de la serpiente” (O Abraço da Serpente), produção colombiana que foi indicada ao Oscar e ganhou seis prêmios do Troféu Platino de 2016, uma espécie de Oscar da América Latina. “É um belíssimo filme”, recomenda.
    
Em janeiro, pelo menos temporariamente a saudade da família foi minimizada, quando os pais vieram participar de sua colação de grau. “Eles ficaram aqui durante vinte dias e foi muito gratificante”, conta. O futuro? “Voltar para a Colômbia sempre é uma opção, mas quero crescer aqui, ganhar experiência para depois pensar nisso”, planeja.