Paulo Gamero: amor fraternal aos "prediletos" que moram nas ruas de Foz

Paulo Gamero: amor fraternal aos "prediletos" que moram nas ruas de Foz

Aqueles que costumam ser tratados como “invisíveis” aos olhos da sociedade, como moradores de rua e dependentes químicos, são carinhosamente chamados de “filhos prediletos” pelos religiosos e voluntários da Fraternidade O Caminho. É lá onde o analista ambiental do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), Paulo Gamero, encontra a sua paz e equilíbrio.
   
Há cinco anos, ele faz parte deste movimento da Igreja Católica, que tem como missão acolher e oferecer ajuda espiritual para quem deseja se livrar de vícios como o álcool e as drogas, ou de situações de prostituição e desestrutura familiar. “Por ser uma comunidade missionária e religiosa, o foco principal é a relação com os pobres”, explica.
   
A participação do retiro “Resgata-me” foi o primeiro contato com a Fraternidade. “O convite veio de um amigo, que recentemente professou seus votos e se tornou o Frei Eclesio. A Fraternidade me cativou. Me chamou a atenção por lidar com diversos tipos de situação”, conta.
   
O trabalho envolve freis, leigos e a juventude em diversas missões, retiros e pastorais. Na Pastoral da Rua, por exemplo, o foco está em levar o amor aos pobres, bem como a distribuição de lanches aos moradores das principais favelas e ocupações da cidade. “Preparamos atividades de louvor e de agradecimento, e levamos um cachorro-quente, suco, refrigerantes”, explica. Já a Pastoral da Madrugada foi a maneira encontraram para aquecer o inverno daqueles que não têm onde morar com a distribuição de roupas e cobertores, além de muito carinho e um lanche da noite.
   
A Fraternidade já teve resultados importantes no tratamento de dependentes químicos. Um trabalho que exige muita atenção e paciência. “Muitas pessoas saíram da drogadição depois que entraram no movimento. Porém, não existe ex-dependente químico. Consideramos como ‘em situação de sobriedade’. Temos uma missão que trata especificamente disso, que é a Missão Sede Sóbrios, cujo lema é ‘só por hoje funciona’”. Para que essas chances de solução sejam ainda maiores, o grupo conta com chácaras para recuperação.
    
O medo acompanhou Paulo nas primeiras atividades. “Se a gente parar para pensar é uma coisa muito louca sair do conforto da tua casa para ir a algum lugar sujeito a assalto e até agressão, porque pessoas em situação de dependência química podem ter esse tipo de reação, é um mecanismo de defesa deles”.
    
Com o tempo, foi tomando coragem e pegando os “macetes” de como abordar as pessoas. Esse crescimento pessoal foi acompanhado da evolução profissional. Em 2015, começou a sua relação com o PTI, onde atuou como voluntário e bolsista no Centro Internacional de Hidroinformática (CIH). Agora, prestes a concluir o Mestrado em Engenharia Agrícola com ênfase em Geoprocessamento, assumiu uma vaga de analista ambiental no Parque.
    

Como conhecer

        
A Fraternidade O Caminho não possui fins lucrativos e depende de doações. “No começo alguns freis comiam apenas chuchu, porque era o que tinha de doação”. O movimento necessita de praticamente tudo o tempo todo, já que são constantes os pedidos de ajuda. Nessa lista estão alimentos, roupas, produtos de limpeza e de higiene. Isso porque duas vezes por semana a casa onde moram os freis (localizada na Av. Juscelino Kubitscheck, 294 – Centro), é aberta para que os moradores de rua, ou “filhos prediletos” possam tomar banho. Além das doações, o grupo organiza festas e eventos para arrecadar recursos.
   
A Fraternidade O Caminho está presente em todo o Brasil e em diversos países espalhados pelo mundo. O movimento é aberto para todas faixas etárias. Uma forma de conhecê-lo é participando das adorações realizadas todas as quartas-feiras, às 20h, e dos encontros fraternais todos os sábados às 18h30, no Centro de Evangelização São Rafael, que fica na Avenida Beira Rio, 466, Vila Portes.
   
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