Projeto vai analisar influência dos micropoluentes no solo e biodiversidade na Bacia do Paraná 3

Projeto vai analisar influência dos micropoluentes no solo e biodiversidade na Bacia do Paraná 3
03/07/2018

As novas técnicas de detecção permitem conhecer a situação do solo e das águas da Bacia do Paraná 3, onde está situada a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia – Itaipu Binacional. Na primeira fase do projeto “Micropoluentes em águas superficiais da BP3”, os pesquisadores foram surpreendidos com os baixos níveis dos agrotóxicos atrazina e glifosato, que estão entre os mais usados na região, no cultivo de milho e soja, representando 80% do uso e ocupação agrícola da região. Mas, agora, é preciso saber como é a dinâmica de degradação destes pesticidas no solo e como afetam a biodiversidade, etapas que fazem parte da segunda fase dessas pesquisas. 

 

Iniciado no final de 2016, o projeto, feito em parceria entre a Itaipu, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e a Universidade da Integração Latino Americana (Unila) analisou as concentrações do glifosato e da atrazina – em 21 microbacias da BP3. Com a assinatura do início do novo convênio do projeto, intitulado “Estudo da dinâmica de micropoluentes em diferentes matrizes ambientais na região transfronteiriça”, na última sexta-feira (29), começam a ser analisados 12 rios do lado brasileiro da BP3 e 12 pontos no Paraguai.

 

“O trabalho em conjunto com a margem paraguaia é inovador e possibilita que os dois países conheçam e comparem as microbacias de suas margens correspondentes”, explica Simone Benassi, gestora do convênio pela Itaipu. Simone menciona ainda que a ideia também é permitir que a região tenha tecnologia de ponta no monitoramento ambiental.

 

A coordenadora do projeto pela Unila, Gilcélia Aparecida Cordeiro, doutora em química analítica, comenta que no primeiro projeto foram encontradas concentrações abaixo dos limites estabelecidos pela resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Essa segunda fase, segundo ela, dá continuidade a esse trabalho para que possa ser feito um monitoramento mais detalhado na BP3 e na área de drenagem correspondente a margem paraguaia. 

 

Essa etapa será dividida em três subprojetos: o primeiro fará a análise dos micropoluentes nos riachos das microbacias no entorno do reservatório da Itaipu na região transfronteiriça; o segundo irá avaliar o efeito desses micropoluentes na biodiversidade de algas e peixes nesses riachos; e o terceiro fará o estudo da degradação por microrganismos dos agrotóxicos atrazina e glifosato no solo. 

 

Como o projeto foi expandido, a equipe também será ampliada para garantir a análise das amostras: serão cinco professores pesquisadores da Unila envolvidos diretamente, 16 bolsistas, em parcerias com instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). Os estudos serão desenvolvidos no Laboratório Multiusuário Engenheira Enedina Alves Marques, no PTI. 

 

O diretor superintendente do PTI, Jorge Augusto Callado, destaca a importância da detecção dessas substâncias poluentes na BP3, por isso, o Parque quer a continuidade desse trabalho. “Essa detecção requer um alto nível de especialização dos nossos técnicos. Por meio desses resultados, podem ser tomadas medidas mitigadoras dos impactos desses micropoluentes”, diz. Ele ressalta ainda que esse projeto representa para a Itaipu um avanço na escala tecnológica em termos de autonomia científica da hidrelétrica.