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Propriedades rurais do oeste terão diagnóstico de suas áreas agrícolas em Sistema Plantio Direto

Propriedades rurais do oeste terão diagnóstico de suas áreas agrícolas em Sistema Plantio Direto

24/05/2017

Os produtores rurais do Oeste Paranaense que atuam com o Sistema do Plantio Direto em suas lavouras terão mais uma ferramenta para diagnosticar e, a partir dos resultados, encaminhar ações visando a melhoria da qualidade do plantio. Para isso, cinco cooperativas rurais foram capacitadas sobre o Índice de Qualidade Participativo (IQP) do Sistema Plantio Direto, que analisa parâmetros agronômicos de qualidade e boas práticas para o manejo do solo.

 

A capacitação foi desenvolvida por um esforço em conjunto do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP) e da Itaipu Binacional. O objetivo do diagnóstico é a gestão adequada da propriedade rural, garantindo boas práticas de manejo, melhoria da produtividade e sustentabilidade do território.

 

O Paraná foi precursor no Sistema de Plantio Direto no Brasil, que é um conjunto de técnicas agrícolas, baseado em três princípios: o não revolvimento do solo, a rotação ou associação de culturas na lavoura e a cobertura permanente do solo com coberturas vivas ou mortas (palhada), em que o solo não é revolvido. Esse sistema foi adotado para reduzir o impacto da agricultura e melhorar o rendimento das culturas. O CIH, em conjunto com a Itaipu e a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação, criou o Projeto “Estímulo à Qualidade do Sistema Plantio Direto na BP3” e desenvolveu a metodologia do IQP para avaliação da qualidade desse sistema. 

 

A ideia da capacitação das cooperativas surgiu em uma rodada de discussão sobre agricultura conservacionista, realizada durante o Fórum de Inovação do Agronegócio Oeste do Paraná, no ano passado. Desde então, o projeto passou a contar com o envolvimento das cinco cooperativas da região: C.Vale, de Palotina; Coopavel, de Cascavel; Copacol, de Cafelândia; Copagril, de Marechal Cândido Rondon; e Lar, de Medianeira. As 5 cooperativas juntas possuem em torno de 45mil cooperados que são atendidos.

 

De março a maio deste ano foram realizadas rodadas de discussões com técnicos agrícolas e agrônomos dessas cooperativas que aprenderam a usar a ferramenta IQP e irão replicá-la com os produtores para avaliar a qualidade das lavouras da região. 

 

O analista ambiental do CIH, Cássio Alexandre Rolan Wandscheer, explica que o IQP de cada propriedade rural é calculado a partir de um formulário com uma série de indicadores agronômicos, como a intensidade de rotação de culturas, a frequência de preparo do solo, o tempo de adoção ao sistema plantio direto, e a fertilização equilibrada. 

 


Técnicos agrícolas e agrônomos de cinco cooperativas participaram da capacitação entre março e maio deste ano. 

 

Essas informações são alimentadas em uma Plataforma web, desenvolvida pelo CIH, que permite cadastrar o produtor rural e avaliar sua área agrícola através da metodologia IQP. Além de permitir a visualização geográfica dos dados em um mapa interativo, a Plataforma Web – Sistema Plantio Direto permite a geração de relatórios com propostas de como melhorar a qualidade do sistema plantio direto avaliado. 

 

“Com o envolvimento das cooperativas, teremos um alcance muito maior. Encerramos agora essa etapa de capacitação e a próxima é a equipe das cooperativas começarem a aplicar os formulários em campo e alimentar a Plataforma. Com isso, poderemos fazer a análise dos dados e, consequentemente, estimularmos para que um plantio direto com qualidade seja utilizado em maior escala aqui na região”, afirma Cássio. 

 

“Temos o nosso projeto em andamento, que tem um alcance limitado. E, envolvendo as cooperativas, temos um alcance muito maior: em termos de abrangência territorial, corpo técnico, recursos, pessoal. Encerramos agora essa etapa de capacitação e a próxima é a equipe das cooperativas começarem a aplicar os formulários em campo e alimentar a Plataforma”, afirma Cássio. A intenção é que esse processo seja finalizado até agosto, data em que acontecerá a próxima rodada de discussão entre os parceiros para discutir os resultados e alinhar os próximos passos e ações a serem realizadas.

 

O engenheiro agrônomo Silvio Krinski, coordenador da gerência técnica e econômica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), afirma que o IQP é um instrumento que vai possibilitar aos técnicos das cooperativas fazer uma avaliação técnica de como está a prática de conservação de solo das propriedades rurais em que é feito o plantio direto. Segundo ele, a técnica é consagrada no Estado e é usada por grande parte dos produtores que cultivam grandes culturas.  

 

Krinski diz que, a partir da aplicação IQP, é possível direcionar qual é a necessidade que o produtor tem e o que é preciso ser feito para melhorar a avaliação. “É mais difícil fazer a gestão de um problema quando não se consegue mensurar. A partir do momento em que é feita a mensuração, a avaliação corretiva do problema que se tem fica mais clara”, complementa.