PTI reúne profissionais da América Latina em workshop sobre águas subterrâneas

PTI reúne profissionais da América Latina em workshop sobre águas subterrâneas

03/06/2019

Iniciou nesta segunda-feira (03), o Workshop Internacional “Avaliação dos impactos na quantidade e qualidade da água subterrânea e sua mitigação”, organizado pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) e do Núcleo de Inteligência Territorial (NIT), em parceria com a Itaipu Binacional, o programa GRAPHIC da Unesco e o Centro Regional para la Gestion de Aguas Subterraneas America Latina y el Caribe (CeReGAS).

 

O objetivo é a capacitação de técnicos, representantes do governo, representantes do setor privado e de organizações não-governamentais para a avaliação do impacto e risco de atividades humanas e mudanças climáticas em relação a quantidade e qualidade de água subterrânea e sua mitigação.

 

Ao todo, mais de 20 profissionais do Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Colômbia, incluindo técnicos do PTI e Itaipu, estão participando de uma série de módulos teóricos e práticos, e terão acesso a ferramentas modernas para uma gestão mais sustentável desse recurso hídrico.

 

O primeiro dia de atividades contou com a palestra “Impactos das Atividades humanas e mudanças climáticas para a água subterrânea e sua mitigação”, ministrada pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do programa GRAPHIC no Brasil, Henrique Chaves.

 

O especialista apresentou algumas tecnologias e metodologias utilizadas pelo programa para monitorar, diagnosticar o uso da água subterrânea em seus aquíferos e ainda encontrar medidas preventivas e mitigadoras para diminuir os impactos negativos que já ocorrem.

 

Segundo Chaves, tratam-se de “metodologias simples, mas ao mesmo tempo robustas que permitem ao gestor hídrico fazer análises que possam demonstrar a melhoria da qualidade e da quantidade de água subterrânea em determinada bacia hidrográfica”.

 

O coordenador do programa GRAPHIC no Brasil, Henrique Chaves, durante apresentação no workshop. Foto: Kiko Sierich/Divulgação

 

O evento segue até sexta-feira (07), e deve contar ainda com outras palestras de alto nível abordando temas como Avaliação dos impactos e do risco à quantidade de água subterrânea, incluindo a produção segura de poços, recarga e descarga; Avaliação dos impactos e do risco à qualidade da água subterrânea, incluindo a vulnerabilidade à contaminação de aquíferos e o potencial de contaminação de poluentes e exemplos de aplicação; Satélite Grace e utilização de suas imagens no processo de estimativa do volume e da dinâmica da água subterrânea, que será comandada pelo representante da NASA, John T. Reager.

 

De acordo com a gerente do CIH, Nara Nami Gazzola, o Centro – que é considerado um dos Centros de Categoria 2 da Unesco – sempre teve entre suas atribuições as questões relacionadas à gestão sustentável dos recursos hídricos, entre elas as águas subterrâneas.

 

“A ideia de estabelecer parcerias visando desenvolver iniciativas como essa parte do princípio que podemos reunir pessoas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, para que possam compartilhar seus cases e suas experiências na busca por soluções para os desafios do setor”, explicou Nara.

 

Hidrosfera

 

Outro destaque da programação foi o Projeto Hidrosfera, desenvolvido em parceria entre o Parque Tecnológico Itaipu, Itaipu Binacional e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e tem como objetivo caracterizar o Sistema Aquífero Serra Geral buscando melhorar a compreensão da interação entre os recursos hídricos subterrâneos e superficiais na bacia do Rio Paraná (BP3).

 

O professor do Departamento de Geologia da UFPR e coordenador do projeto, Gustavo Athayde, explica que a ideia é entender o Aquífero sob a ótica de quantidade e qualidade físico-química das águas. Para isso, estão sendo monitorados quarenta poços para análises de qualidade da água e outros trinta poços para índices do nível do aquífero.

 

O coordenador destaca ainda a importância do Aquífero para o desenvolvimento social e econômico da região, uma vez que “quase todos os municípios utilizam a água do Sistema Aquífero Serra Geral para abastecimento, além das indústrias locais”, ressaltou.