Rudi, dos 130 kg aos pódios das maratonas

Rudi, dos 130 kg aos pódios das maratonas

O Rudi também é daqueles que travou uma longa batalha contra a balança. Algo de família, segundo ele. Tentou medicamentos, dietas radicais, mas nada funcionava. Se davam certo, era temporário. E os quilos perdidos voltavam rapidamente (às vezes, trazendo uns extras). 

 

Mas essa “herança” deu um belo susto quando ele tinha apenas 24 anos (e quase 130 kg). “Fui ao hospital com suspeita de enfarte”, contou. Rapaz jovem, mas a falta de cuidados com alimentação e o sedentarismo fizeram o engenheiro atingir o nível três (o último grau da doença). 

 

“Graças a Deus, não era nada. Mas passei a fazer exames e vi que estava com muitas alterações, gordura no fígado… Diante disso, falei: ‘Preciso mudar’. Resolvi, então, que iria fazer a cirurgia bariátrica. Dia 09 de abril de 2012 passei pelo procedimento”.

 

Para quem não sabe (ou não imagina), a “redução de estômago”, como é mais conhecida, é extremamente agressiva. Não mexe só no físico. É preciso controlar o emocional, o psicológico e o organismo vão sentir diferença. “No primeiro ano, perdi 50kg. Cheguei a perder quase 18kg num mês. Foi muito sofrido”, lembrou.

 

O gostinho da vitória, que seria muito frequente dali uns anos, já podia ser sentido. Obesidade vencida. “Eu já tinha mudado meus hábitos alimentares, mas ainda não tinha começado na questão de qualidade de vida, atividade física. Isso ainda não havia acontecido. E eu comecei a ganhar peso outra vez”.

 

A peteca não podia cair. Não agora. Não depois de tudo. “Não sofri tanto assim de graça! Preciso fazer alguma coisa diferente”. Fui para a academia sem gostar, mas não podia voltar ao mesmo peso e aos mesmos problemas”. E aí, ele conheceu um grande amor: a corrida.

 

Dizem que todo corredor tem uma grande história. O Rudi reforça esse arquétipo. Depois de três meses de treino, se inscreveu na primeira prova. “5 Km, da PM. Botei na cabeça que faria sem caminhar. Quando cruzei a linha de chegada, a sensação que eu tive foi de que eu queria mais daquilo”. 

 

A evolução foi (e tem sido) gradativa. Uma conquista após a outra. De 5km para 8, 10, 15, 21 (Meia Maratona), 42 (Maratona) e até 50km! “A corrida se tornou minha motivação para comer bem e melhorar minha performance. Passei a me cuidar mais ainda. Quando comecei a treinar especificamente para maratona, perdi mais 10kg e de forma saudável, com ganho de massa magra e diminuição da gordura.”

 

Paralelo a isso, o rendimento no trabalho também passou a ser outro. Gestor desde 2014 da área de Infraestrutura e Obras, a disciplina do esporte o ajudou no escritório também. “Eu tinha muita indisposição, isso mudou muito. Também passei a me planejar mais, algo que aprendi nas provas. Sem contar o lembrete de que, por mais que seja difícil, uma hora acaba. E aí vai ser legal pra caramba!”.

 

E os desafios não pararam por aí. “Em 2014, trabalhei no Iron Man, ajudando a distribuir água aos atletas. Achei aquilo muito legal e falei que precisava fazer parte daquilo. Comprei uma bicicleta e comecei a treinar natação. Meu primeiro triátlon foi um Iron Man. Foi insano! Recebi apoio da Itaipu, ganhei a inscrição e o uniforme. Completei em 5h36min. Chorei demais. Coisa sem igual!”, relembra.

 

Mais recentemente, Rudi teve sua primeira corrida representando o PTI. A prova também foi uma novidade: na cidade de Xiamen, na China. “Eu nunca tinha feito uma prova internacional, foi uma experiência única. Incrível. Não só por conhecer outro país, mas pela honra de representar o parque e a cidade. Foi o primeiro evento esportivo que eu representei esse lugar que eu tanto amo.”

 

Para quem dizia que amarrar cadarço exigia esforço, o atleta é um exemplo de que a mudança precisa partir da gente mesmo! “Tenho muitos sonhos ainda, mas sei que tenho que ir com calma. A corrida, eu digo, é a grande “culpada” por tantas alegrias, por eu estar me sentindo bem comigo, com meu corpo. Ela foi a motivação para eu cuidar mais de mim. Conheci tantos lugares legais. Tenho muitos amigos que fiz por meio da corrida. Eu tento passar isso para as pessoas experimentarem isso. Não é fácil, mas é muito gratificante”. 

 

RUDI EDUARDO PAETZOLD - 7 ANOS E MEIO DE PTI - INFRAESTRUTURA E OBRAS