Série: CABELOS DO PARQUE (parte 2)

Série: CABELOS DO PARQUE (parte 2)

A Isabelle Bhering, aluna de Relações Internacionais, sempre teve uma “relação” de amor e ódio com seu cabelo. “Eu ficava horas para deixar ele liso”, relembra. A jovem paulista, recém-chegada a Foz do Iguaçu por conta dos estudos, começou a luta contra os cachos novinha, aos 11 anos de idade. “Foi por opção minha. Eu percebi que minhas amigas eram diferentes e a atenção que recebiam era diferente por causa dos cabelos lisos. Eu era a única cacheada. Não sabia cuidar… Então, passei a alisar”.

 

Como você deve imaginar (ou saber), alisar dá um trabalho danado! Ainda mais para quem tem cabelão. “Eu acordava às 5h da manhã para começar a fazer a prancha”. Isso, claro, chega uma hora que cansa… E esse momento foi decisivo para a Belle. “Decidi que não queria mais porque, numa viagem para Paraty, eu não aproveitei porque ficava fazendo chapinha. Depois disso, fiquei brava, cortei e deixei crescer natural, com meus cachos”.

 

Ela ainda está na fase de transição capilar. “Estou há dois anos e meio com ele assim e quero ele grande, cacheado. Hoje tenho uma relação muito diferente com meu cabelo e nem me arrependo de ter alisado. Se não tivesse feito isso, não saberia valorizá-lo agora”.

 

E, se ela não sabia cuidar antes, agora, a história é (definitivamente) outra. “Eu mimo o meu cabelo. Uso uma fronha de algodão para secar. Só durmo com fronha de cetim, para não dar frizz. Lavo uma vez por semana, faço hidratação e finalizo. É um pouco mais “chato”, mas agora posso sair de casa sem me preocupar”.

 

“Meu cabelo se tornou minha identidade. É muito importante. Valeu a pena todo o trabalho”.

 

A história de alisamento da Belle é bem comum. Acontece com (quase) todas as cacheadas. A Ana Paula Credendio, do programa de Educação e Cultura do PTI, é uma dessas exceções. “Eu sempre usei meu cabelo assim. Aliás, quando eu era pequena, era black power. Sempre achei o máximo ser a única de cabelo cacheado”.

 

Os cachos e as sardas nunca foram escondidos. Ana é da teoria (e isso desde sempre) de que tudo é bonito, desde que a pessoa se sinta bem com ela mesma. Pra ela, o legal é ser diferente. “As meninas estão se aceitando cada vez mais. Mas o cabelo cacheado ainda causa impacto. Às vezes saio a noite e sou a única de cachos. Acho demais não ser padrão”.

 

Essa filosofia de se aceitar e poder brincar livremente com o cabelo dá a sensação de poder, sem medo de ser rejeitada ou julgada pela sociedade. “Com meu cabelo assim, eu me sinto ‘Ana’ e muito mais capaz de alguma coisa que eu tenha que fazer”.

 

Os cuidados acabam se tornando uma tarefa de bem-estar. “Sou viciada em cremes. Fico quase uma hora massageando meus cachos, para eles ficarem bonitos. Às vezes gosto de deixar ele bem ‘Wanessa da Mata’, acho lindo”.

 

Pra finalizar, Ana traz a lição que tanto ouvimos: “As pessoas precisam se aceitar. É difícil, porque existe um padrão, uma moda… Mas elas precisam se amar mais”.

 

E você, já se aceita do jeito que é?

 

- Leia a Parte 1 da série "Cabelos do Parque"

 

ISABELLE PRATES CORDEIRO BHERING - 19 ANOS - 1º PERÍODO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS (UNILA)

 

ANA PAULA CREDENDIO - 5 ANOS DE PTI - EDUCAÇÃO E CULTURA