Sandra fez enfermagem para cuidar da avó, agora cuida de todos nós

Sandra fez enfermagem para cuidar da avó, agora cuida de todos nós

Apesar de quatro mudanças de Estado (Pernambuco, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná) durante a sua graduação, a determinação não deixou com que Sandra Nery, que atualmente trabalha na Enfermaria do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), desistisse do sonho de ser enfermeira. Ao todo, ela passou por quatro universidades para se formar, em um período de sete anos. 

 

Em 2006, o primeiro ano de faculdade, Sandra morava em Recife, capital de Pernambuco. O marido dela, que é do Exército, foi transferido para Três Corações, em Minas Gerais, e ela o acompanhou. Só que lá não tinha universidade com o curso de Enfermagem. Mas ela deu um “jeitinho” de se manter na área e, durante três anos, trabalhou como técnica de enfermagem. 

 

De Minas, a enfermeira foi para Castres, Mato Grosso, também acompanhando o marido. Lá pôde retomar os estudos, mas mal se adaptou ao novo ambiente e já teria que mudar novamente. Dessa vez, ela e o marido vieram para Foz do Iguaçu. Aqui Sandra conseguiu terminar o curso, mas não sem antes mudar mais uma vez: só de universidade na mesma cidade, pelo menos. 

 

O cansaço de todas essas mudanças, a dificuldade de se adaptar à grade do curso e aos novos colegas de turma, quase fizeram com que a enfermeira desistisse. Mas com o “empurrãozinho” do marido, ela foi em frente e, no final de 2013, estava enfim formada. 

 

A decisão

 

Antes disso, Sandra tinha começado outras duas faculdades: serviço social e psicologia, mas não se identificou com nenhum dos cursos. Foi quando a avó ficou doente e precisou de atendimento em um hospital, que ela teve certeza do que queria fazer. “A gente notou que ela estava morrendo ali sem ter o atendimento necessário. Aí veio na minha cabeça: ‘vou fazer enfermagem para cuidar da minha vó’, mas infelizmente não deu tempo. 

 

A falta de acolhimento que a avó teve quando adoeceu, Sandra compensa em seus atendimentos hoje. Quem procura a Enfermaria do PTI em busca de um medicamento, de uma vacina ou de uma aferição de pressão, encontra muito mais que isso: Sandra tem o cuidado de ouvir e acompanhar cada pessoa que passa por ali. Tanto que já tem gente que passa por lá só para desabafar, com a garantia da confiabilidade da enfermeira. “O que a pessoa conversa comigo aqui, aqui vai ficar. Porque se eu não fosse uma profissional poderia sair ali fora contando nos corredores, mas isso jamais vai acontecer”. 

 

Sandra se apega tanto a seus pacientes que uma hora teve que “segurar a barra”. Ela conta que trabalhou cinco anos em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foram os anos mais difíceis da carreira dela. Isso porque ela se apegava como se fossem familiares dela, o que fazia o sofrimento ser maior quando algo ruim acontecia. “Você tá cuidando de um paciente, fica um tempão com ele, e ele vem à óbito… Você vai sofrer, porque tentou fazer com que ele saísse daquela cama, mas infelizmente não conseguiu”. 

 

Toda essa entrega à profissão fez com que a própria enfermeira adoecesse. Teve problemas de pressão e de ansiedade, e aí percebeu que teria que mudar sua postura. “Comecei a me auto policiar, falava pra mim mesma ‘tenho que cuidar, mas não posso me apegar’. Eu tratava, cuidava, mas não a ponto de levar para casa aquele problema”. 

 

O PTI

 

A história de idas e vindas parece se repetir na vida de Sandra. Foi assim com o PTI também. Em 2016, ela começou a trabalhar na Enfermaria por uma empresa terceirizada. Após um ano, o contrato venceu e Sandra teve que deixar o Parque. “Foi muito frustrante. Eu fiquei muito triste porque eu gostava do que fazia aqui, gostava de trabalhar, principalmente pela equipe com quem eu trabalho aqui, que é muito boa”. 

 

Durante seis meses, a enfermeira trabalhou em um hospital de Medianeira. Aí surgiu uma nova oportunidade e ela fez uma prova para um novo serviço, que seria em Santa Terezinha de Itaipu. Só que a divulgação da vaga estava errada e adivinhem onde ela veio parar outra vez? “Quando eu fiquei sabendo, fiquei muito feliz. Fiquei naquela expectativa, naquela ansiedade de falar para o pessoal que eu tava voltando”. Ela até tentou fazer surpresa, mas não aguentou e contou aos colegas que voltaria ao PTI.

 

“Aqui é um local em que eu me sinto bem trabalhando. As pessoas são muito legais comigo, me respeitam, têm atenção comigo, assim como eu também tento ter com as pessoas”, afirma Sandra. 

 

O fluxo de atendimento na Enfermaria costuma ser alto – tem mês que eles atendem cerca de 50 pessoas, entre colaboradores, estudantes e outros profissionais que transitam pelo Parque. Mas, ainda assim, Sandra revela que a equipe acha jeito de se divertir. Tanto que tem registrado os momentos alegres em “selfies”. “Antes eu trabalhava em hospital e não tirava tanta foto como eu tiro agora. Qualquer coisa pra mim é ‘selfie’”. “Aqui me faz bem”, comenta a enfermeira.