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Simulado de acidente na Itaipu reúne mais de cem profissionais das forças de socorro de Foz

Simulado de acidente na Itaipu reúne mais de cem profissionais das forças de socorro de Foz

26/05/2017

Era 9h15 quando o bombeiro Luciano Tristão, da Divisão de Segurança da Central (SEOC.AD), atendeu o telefone, no ramal 3333 da Central da Brigada de Emergência da Itaipu. Do outro lado da linha, alguém trazia a má notícia: havia acontecido um acidente envolvendo um ônibus e um veículo, nas proximidades do Centro de Treinamento, dentro do Complexo Hidrelétrico Itaipu. Era só o que ele sabia. De imediato, a equipe do bombeiro Edson Vidal foi acionada e correu para o local do ocorrido. Uma série de acontecimentos devidamente planejados seguiu pela hora e meia após aquele primeiro telefonema.

 

O simulado inédito de um Acidente com Múltiplas Vítimas (Amuv), na manhã de quinta-feira (25), reuniu mais de cem pessoas, entre empregados da Itaipu, alunos da Unila e profissionais de uma dezena de entidades que integram a força de socorro de Foz do Iguaçu e que, pela primeira vez, puderam simular uma ocorrência dentro de Itaipu. “Esta integração entre a empresa e a força de socorro é vital para manter a segurança na usina”, afirma o gerente do Departamento de Segurança da Itaipu (SEO.AD), Alexandre Cardoso. “A resposta ao acidente foi superdimensionada propositalmente, para que houvesse a participação de vários órgãos. Muitos não sabiam como chegar aqui, não conheciam o nosso pessoal. O simulado também prepara para casos ainda mais graves, dentro da área industrial”, resume.

 

Segundo o chefe do Corpo de Bombeiros da Itaipu, Ademar Luiz Lenzi (SEOC.AD), o objetivo foi simular um acidente que superasse a capacidade de atendimento das forças de socorro internas da empresa. Diariamente, lembra ele, circulam pela usina mais de 9 mil pessoas, entre colaboradores da empresa, fornecedores e os diversos públicos universitários e do PTI. “A nossa ideia foi analisar qual seria o tempo de resposta de todas as atividades, tanto dos órgãos de segurança dentro da Itaipu como os da cidade”, conclui.

 

Após o início do simulado, só o que se ouviam eram os gritos das 30 vítimas envolvidas, em diferentes estágios de gravidade. Um veículo Santana Quantum 1988 havia colidido frontalmente com um ônibus interno, que levava estudantes da Unila para o campus. As pessoas, desesperadas, corriam dentro do ônibus. Outras estavam desacordadas. Havia sinal de fumaça e muito sangue. Então, ainda distante, percebe-se o soar de uma sirene. Três minutos se passaram até chegar a viatura da Segurança Empresarial da Itaipu. A primeira atitude é bloquear a via com cones e desviar o tráfico de veículos. Outras sirenes soam cada vez mais alto e, poucos minutos depois, dois caminhões de bombeiro e uma caminhonete da brigada de Itaipu estacionam no local.

 

“A nossa atitude inicial é cuidar da nossa própria segurança, porque se algum bombeiro se acidentar durante o atendimento será mais uma pessoa que teremos que cuidar”, explica o bombeiro Edson Vidal (SEOC.AD), enquanto enxugava a testa, ao final do exercício. O primeiro passo foi instalar os equipamentos, apagar um princípio de incêndio e começar a fazer a classificação das vítimas. Vítimas são separadas por cores de acordo com a gravidade dos ferimentos. O primeiro atendimento é feito por profissionais da Itaipu.

 

Imediatamente chegam os profissionais de saúde da Itaipu e do PTI. Quatro médicos e dois enfermeiros ajudam no primeiro atendimento e na separação das vítimas de acordo com o grau de gravidade: em uma lona verde ficam aqueles de gravidade leve; nas amarela e vermelha, os que demandam maior atendimento; e, finalmente, na lona preta, os óbitos. “Atuamos com o método start, separando as vítimas pelas cores. Mas a resposta do paciente é dinâmica, ele pode evoluir de uma gravidade para outra e nós temos que estar atentos tanto no atendimento quanto na classificação”, conta a médica Fernanda Cabral Schveitzer, gerente da Divisão de Medicina do Trabalho de Itaipu (RHSM.AD).

 

A evolução das gravidades das vítimas ao longo da atividade foi planejada pela professora do curso de Medicina da Unila, a médica do Siate Flávia Trench. “Combinamos com os alunos que eles piorassem ao longo do atendimento e os profissionais da saúde foram muito bem ao identificar isso”, elogia a professora, que também orientou alguns alunos a fazer escândalo e atrapalhar o atendimento. Além das 30 vítimas, outros dez estudantes do curso de Medicina acompanharam a atividade como observadores, tomando nota sobre o atendimento. O material vai integrar o relatório de conclusões do simulado.

 

Enquanto a triagem das vítimas e os primeiros socorros acontecem na Itaipu, pela Avenida Tancredo Neves ouve-se uma orquestra de sirenes de ambulâncias e do Corpo de Bombeiros da cidade. É 9h42 quando a primeira ambulância do Samu chega ao local, seguida por Siate, Tass Assistência Médica e os caminhões dos bombeiros. As ambulâncias estacionam em um local pré-estabelecido, já orientadas a saírem o quanto antes. “Quando saímos da base estamos às cegas e, à medida que nos dirigimos para o local, recebemos novas informações”, explica o plantonista da Samu Moisés dos Santos Carvalho, que integrou o posto de comando da ação. “Sempre quando acontece um Amuv, o Samu assume a responsabilidade de definir quais pacientes são levados pelas ambulâncias.”

 

É 10h05 e um helicóptero da Helisul, que havia sido acionado pela Divisão de Transportes, sobrevoa Itaipu levando uma das vítimas mais graves ao hospital. Ele pousaria no campo do 34º Batalhão de Infantaria Mecanizada e seria levado ao Hospital Municipal. O Hospital Ministro Costa Cavalcanti e a Unimed também receberiam as outras vítimas graves. O atendimento das vítimas com menor gravidade é feito nos ambulatórios da Itaipu, PTI e Unila. Às 10h10 sai a última ambulância. Sobram, no local, os dois veículos envolvidos no acidente e três “corpos”.

 

Dois agentes de criminalística da Polícia Federal chegam às 10h32. Como a Itaipu é um órgão federal, cabe à PF fazer a perícia do acidente. “É nossa missão investigar crimes de interesse da União, e como Itaipu está vinculada à União, atuamos aqui”, explica o chefe da delegacia da PF em Foz do Iguaçu, Fabiano Bourdignon. “É importante este tipo de treinamento para estarmos preparados para casos reais e mais graves, como uma invasão à usina ou uma ação terrorista”, ilustra. Com a retirada do último “corpo”, que ficara preso dentro das ferragens do Santana, terminava o simulado.

 

“Avaliamos o simulado como ‘ótimo’. O objetivo é verificar os erros e criar um protocolo. Mais de 20 observadores tomaram nota do que aconteceu e do que deve ser melhorado”, avalia o chefe da Defesa Civil e coordenador do simulado, capitão Eduardo de Castro, do Corpo de Bombeiros. “Simulados como este mostram a importância de aprendermos a como agir em caso de eventos desta magnitude”, afirma o secretário municipal de Segurança Pública de Foz do Iguaçu, Jussier Leite Silva. “Sobretudo, pudemos avaliar a cooperação das forças para fazer este atendimento”, conclui. As entidades participantes vão se reunir na próxima semana para fazer o balanço oficial do simulado.

 

Texto: Assessoria Itaipu Binacional