Sistema Plantio Direto: um bom aliado na gestão de bacias hidrográficas

Sistema Plantio Direto: um bom aliado na gestão de bacias hidrográficas

20/03/2019

Desde a construção de seu reservatório, a Itaipu Binacional vem implantando uma série de ações para garantir água em quantidade e qualidade necessárias para geração da energia elétrica que fornece 15% da energia consumida no Brasil e 90% da energia consumida no Paraguai. Entre as iniciativas de gestão da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná – que abastece o reservatório – está o uso da terra, a conservação e o manejo dos solos.

 

Neste sentido, em parceria com o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP), a usina mantém atividades para consolidação, validação e expansão do Sistema Plantio Direto (SPD), uma técnica conservacionista que, aliada ao uso correto do terraceamento, traz importantes resultados no combate à erosão e suas consequências aos recursos hídricos.

 

 

O trabalho conjunto entre as instituições já gerou importantes resultados. Entre os destaques está o desenvolvimento de uma metodologia denominada Índice de Qualidade Participativo do Sistema Plantio Direto (IQP). A ferramenta foi elaborada a partir da necessidade de identificação das boas práticas agrícolas na região oeste do Paraná e o nível de aplicação do SPD pelos produtores locais.

 

Uma das principais premissas do IQP é o envolvimento dos agricultores nas discussões e no preenchimento de um questionário com indicadores agronômicos que servem como base para um cálculo que gera uma pontuação indicando a eficiência do manejo. Sendo os principais índices de avaliação: Intensidade de Rotação de Culturas; Densidade de Rotação de Culturas; Persistência de Resíduos/Palhada; Frequência de Preparo do Solo; Terraceamento Correto; Avaliação da Conservação; Fertilização Equilibrada; Tempo de Adoção ao Sistema Plantio Direto.

 

Os dados levantados em campo são cadastrados em uma plataforma web, desenvolvida pelo Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), que realiza análise e gera relatórios de cada propriedade cadastrada, além de possibilitar a visualização em mapas interativos e descritivos. Desta forma, o produtor pode realizar as adequações necessárias para alcançar melhores resultados.

 

De acordo com o diretor superintendente do PTI, Jorge Augusto Callado, a técnica é uma grande aliada do desenvolvimento regional sustentável. “Todas as ações de gestão ambiental na bacia hidrográfica são importantes para conservação da qualidades dos recursos hídricos e dos sistemas produtivos. O Sistema Plantio Direto é um excelente exemplo”, frisou.

 

Etapas

 

Desde 2009, o PTI atua na validação técnica e científica do IQP. Ao todo, foram avaliadas 226 propriedades, localizadas em 8 microbacias pertencentes à Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3).

 

O Parque também atua na disseminação e consolidação da metodologia. Para isso, são realizadas visitas a campo para aplicação das questões do formulário e conscientização dos produtores rurais, além de capacitações do corpo técnico de cooperativas, empresas e órgãos públicos. 

 

 

As próximas etapas devem focar no fortalecimento, expansão e identificação de novas áreas que possam absorver o uso do IQP em seus sistemas produtivos. Entretanto, serão necessários ajustes de acordo com as necessidades de cada região, inclusive em outros estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Goiás, que já demonstraram interesse no método.

 

Em 2018, cinco cooperativas paranaenses assinaram um protocolo de intenções com a Itaipu, PTI e FEBRAPDP que prevê a ampliação da participação dos seus associados no Índice de Qualidade Participativo do Sistema Plantio Direto. O compromisso firmado permite que os parceiros tenham acesso aos 42 mil produtores que são associados às cooperativas que aderiram ao protocolo.

 

 

Jeitinho brasileiro

 

O Plantio Direto foi importado dos Estados unidos, nos anos 70, e adaptado às condições geográficas e climáticas do Brasil. Estima-se que atualmente existem cerca de 35 milhões de hectares plantados utilizando a técnica – que consiste apenas no não revolvimento do solo. Já o Sistema Plantio Direto é complementado com a rotação de culturas e a cobertura permanente do solo. Sendo a última, a responsável pela retenção da água no solo e reposição da água subterrânea, favorecendo a plantação em épocas de seca. Além disso, essas três características garantem o aumento da estabilidade da estrutura física do solo; menor compactação do terreno, eliminação da erosão e outras vantagens ambientais e econômicas.

 

Bibliografias

 

Os produtores podem consultar gratuitamente as publicações:

 

Plantio Direto – A tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira, lançado em 2015, pela editora Parque Itaipu;

 

Programa de Estímulo à Qualidade do Sistema Plantio Direto na Palha, na Bacia Hidrográfica do Paraná 3, cartilha publicada em2009;

 

E a mais recente “O mistério do ribeirão vermelho”, que aborda o Sistema Plantio Direto em linguagem infantil.

 

 

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